Conheça o novo conceito em cicloturismo, o Bikepacking

DA CRIANÇA QUE PEDALAVA PELAS RUAS COM OS AMIGOS ÀS VIAGENS DE CICLOTURISMO (BIKEPACKING) PELO MUNDO!

Foto: Blue Mountains (Austrália)

Hugo Lohrer é brasileiro, tem 28 anos formado em engenharia e atualmente vive na Austrália. Neste país de belezas exóticas e tão pouco explorado por brasileiros ciclistas, Hugo nos conta um pouco sobre sua vida e dará dicas valiosas sobre uma nova forma de praticar o cicloturismo o bikepacking. Se você assim como eu nunca ouviu falar nisso, vem comigo aprender sobre o que está rolando de novo no mundo da bike lá fora.

Foto: Sri Lanka

Como a maioria das pessoas tenho muitas memórias em cima da bicicleta brincando com meus amigos pelas ruas. Mas foi aos 13 anos de idade que as coisas mudaram um pouco de rumo. Nesta idade que fui apresentado ao mountain bike pelo meu pai. Na época nada sério, sem competições somente cicloturismo de final de semana. Aos poucos os quilômetros foram aumentando e aumentando até os 70 km. Para muitos essa distância não eh muito, porém para uma criança/adolescente de 13-15 anos acredite , era bastante. Sem dúvidas foi meu primeiro contato com a exaustão total, o interessante é que isso não me fez parar mas sim ficar mais interessado sobre esporte de alto nível.

Foto: Sydney (Austrália)

Buscando algo que incluísse a bike e que demandasse ainda mais, eu comecei a me interessar pelo triátlon. Essa fase teve uma pegada totalmente diferente. Mergulhei com tudo nesse esporte, competindo pelo Brasil todo e sempre exigindo mais e mais desempenho do meu corpo. Durante essa fase me acostumei com a dor muscular que o ciclismo e as outras modalidades trazem quando se treina para ser competitivo contra outras pessoas do país e de fora em algumas ocasiões. Mas depois de alguns anos voltei meu interesse novamente para o ciclismo. Isso aconteceu quando tive meu primeiro contato com o Tour de France. Uma competição que é tida como a mais difícil do mundo, onde os atletas percorrem mais de 3 mil quilômetros num espaço de 3 semanas por principalmente a França passando por varias montanhas, chuvas, ruas de paralelepípedo e muito mais. Então decidi que queria tentar ser profissional desta modalidade do ciclismo.

Novamente abaixei a cabeça e treinei muito, em media durante dois anos eu pedalei 420km por semana. E como já estava com 17 anos achei que deveria tentar carreira fora do Brasil, então segui em direção ao país que eu tinha mais afinidade na época, a França. Já na primeira semana me alistei em um clube para poder competir participei de algumas competições por lá e fui selecionado a participar de um centro de treinamento onde infelizmente não pude ficar por muito tempo por motivos relacionados com a família onde eu estava hospedado. Então com meu sonhos arruinados e muito triste comigo mesmo, voltei ao Brasil magoado com o ciclismo.

Foto: Google

Pela primeira vez em cinco anos eu não quis saber de nenhum esporte e esta faze durou alguns anos. Até que pensei que mesmo não podendo mais ser profissional eu ainda gostava de andar de bicicleta, então fiz como no começo e andava de mountain bike nos finais de semana. Como já era maior, eu agora podia ir sozinho ou com amigos em trajetos feitos por mim mesmo e com a ajuda do doutor google, comecei a passar tardes procurando trilhas que em sua maioria acabavam por ser impossíveis de pedalar mas a jornada era o máximo! Depois que me formei, aproveitei o momento de crise no Brasil para melhorar meu inglês e então embarquei para , na época, seis meses de escola na Austrália. Depois de 4 anos por aqui acredito que meu inglês esteja bom ,mas ainda não saciei minha vontade de conhecer este país.

Foto: Sri Lanka

Nestes 4 anos fui apresentado ao que chamam aqui de bikepacking. Uma modalidade relativamente nova do ciclismo, que poderia ser explicada como uma fusão do mountain bike de aventura com acampamento minimalista. Ou seja, viajar com sua mountain bike por principalmente estradas de chão, trilhas ou até mesmo fazendo o seu próprio caminho levando tudo que será necessário em sua bicicleta dando prioridade para lugares remotos.

Foto: Sri Lanka

Quero dizer, de que outra forma você poderia ter contato com pessoas com mínima influência de toda tecnologia atual ou da sociedade ocidental, animais selvagens como elefantes, cobras, cangurus, águias, entre outros? Isso além de ter total liberdade de quando parar, quando continuar, quando ouvir e sentir a natureza e ficar à mercê desta? Algumas pessoas preferem o montanhismo e andar em trilhas, mas ao meu ver essa modalidade é muito lenta e no final do dia não muito terreno foi descoberto, já moto ou carros e tão rápido e sem demanda de esforço por parte dos viajantes que muitas das paisagens, experiências com outras pessoas e animais passam despercebidas mesmo que no final do dia muito terreno tenha sido coberto. Então para mim a bicicleta é o meio termo, e marca todos os campos necessários para uma ótima viagem.

Não vou dizer aqui que sou a pessoa mais experiente do mundo nessa modalidade porém posso dizer que depois de mais de 7 viagens, 40 noites e mais de 3000 km percorridos já passei por algumas e aprendi com certos erros.

Foto: : Jenolan Caves

A primeira viagem foram 2 noites acampando na parte rural do estado onde vivo ,percorrendo 213km em três dias e a última foi uma semana acampando na floresta 6 noites e pedalando pouco mais que 800km em 7 dias no Sri Lanka. Agora você pode estar pensando, mas o que é necessário levar nestes tipo de viagem? Existem vários textos, fotos e vídeos sobre isso na internet porém como a modalidade é relativamente nova a maioria da informação ainda está em inglês. Neste post vou dar uma pincelada por cima desta modalidade para dar uma visão geral do que está envolvido. E acredito que a maioria das pessoas que amam natureza e suas bicicletas irão se apaixonar por esse tipo de ciclismo/viagem.

Esta é a maneira que eu pessoalmente gosto de fazer viagens com bikepacking, mas adaptações são bem vindas, como por exemplo trocar o acampamento por hotel ou cozinhar sua própria comida por restaurantes na estrada.

Foto: Wollondilly River

Vamos lá então, aqui está a minha bicicleta carregada para uma viagem de uma semana no Sri Lanka e como eu separo os equipamentos. A bicicleta em si pesa 15kg e carrego em geral entre 15 e 20 kg de equipamento dependendo do terreno, clima, duração da viagem e outros aspectos.

Foto: Bowral Railway Station

Já de cara você pode perceber que o peso é uma preocupação quando você está escolhendo o que trazer na sua próxima aventura. No futuro vou explicar mais a fundo o porque disso, porém imagine carregar, por exemplo, 10kg de roupas, cremes e outras coisas do nível do mar até uma altitude de 2500 m. Não acredito que muitas pessoas gostariam de ter essa experiência. Então levar somente o necessário é a chave para o sucesso e isso nos faz repensar o que é realmente necessário para sobreviver e também se divertir no caminho.

Foto: Sri Lanka

A verdade é que para começar você provavelmente já tem 90% do equipamento e sua bicicleta é perfeitamente suficiente para experimentar o bikepacking. Se você tiver uma barraca, bicicleta com um rack traseiro e uma mochila, teoricamente você já pode fazer a sua primeira aventura. É só amarrar a barraca no guidão, a mochila no rack traseiro levar comida e roupa necessária e pronto!

Foto: Austrália

Claro que depois de ser mordido pelo bicho do bikepacking, acessórios mais específicos para esta modalidade são recomendados, como por exemplo a mala acoplada no triângulo do quadro de sua bicicleta, a bolsa do guidão para ter fácil acesso a comida, GPS ou qualquer acessório que você achar necessário e também uma abraçadeira/arreio que fixa sua barraca ao guidão ao invés de usar elásticos ou cordas. Todas estas e outras soluções são para dar ao ciclista mais estabilidade quando pedalando e também duram mais tempo que soluções temporárias.

E a mensagem do Hugo para nós?

” Eu prefiro o peso do alforje na bicicleta do que o peso na consciência de nunca ter saído do lugar e ter partido para conhecer outros mundos, outros povos, outras vidas”

Quer saber mais sobre as viagens do Hugo?? Ele está no Instagram esperando por suas sugestões, duvidas ou aquele bate papo.

https://www.instagram.com/hugoorigo/

É mulher na bike que a gente quer ver no outubro rosa?

O pedal outubro rosa #juntassomosmais em Guarapuava foi lindamente colorido por mulheres maravilhosas. Cada uma no seu ritmo, no seu tempo e na sua vontade abrilhantaram as estradas e a cidade de Guarapuava. Parabéns a família @los_manolos_elas_no_pedal e @biksstore e a todos que colaboraram para este lindo e emocionante evento.

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