Bike Anja: A experiência de quem ensina a pedalar

Se você já segurou o guidão de alguém para ajuda-la a se equilibrar, então você já descobriu o quanto este pequeno gesto pode mudar a vida de uma pessoa.

Vivemos numa sociedade cada vez mais alienada e desumanizada: os carros retiraram-nos das ruas, onde passeávamos a pé e cumprimentávamos toda a gente; os cubículos tornaram o mundo do trabalho num local isolado, assim como as fábricas e até os computadores; as televisões prendem-nos ao sofá e não nos deixam sair e conviver com outras pessoas;, ninguém conversa porque estamos todos voltados para a tela. Embora nada disto seja mau ou inapropriado, temos de assegurar que não nós estamos nos isolando do mundo, trocando o amor pelo próximo e o valor de uma comunidade, pela exclusão social e a individualidade acentuada.

Se você sempre pensa em como ajudar quem precisa ou busca motivos para estender suas mãos, saiba que por menor que seja o seu gesto, qualquer movimento que contribua para melhorar a vida de quem necessita é bem-vindo. Conheça o exemplo da BIKE ANJA Gheysa Prado de Curitiba.

A bicicleta sempre esteve em minha vida, mas houve uma janela entre a infância e a vida adulta. Na infância, era nela que eu me sentia a menina mais poderosa do condomínio, quando eu conseguia ganhar corrida de todos os meninos, descer morros e ser muito ágil na minha primeira bicicleta cinza. E também foi nela que eu caí um super tombo e quebrei um dente da frente definitivo, bem ao meio. Após um período de afastamento, voltei a pedalar em 2009 – com uma bicicleta emprestada, durante o mestrado, como forma de deslocamento entre a universidade em que eu dava aula e a universidade em que eu estudava. Esse deslocamento, que era de cerca de 3km, eu considerava muito perto e caro para ir de transporte público, muito longe e cansativo para ir à pé carregando uma mochila de aproximadamente 7kg nas costas, e muito congestionado no centro da cidade para fazer de carro.

Depois do mestrado, no início de 2011, minha vida passou por um de seus marcos. Na dúvida entre casar ou comprar uma bicicleta, fiz os dois. Casei no Brasil, mudei com meu marido para a Suécia e lá compramos uma bicicleta pra mim. Nessas horas, você deve estar pensando: “Nossa, mas aí fica fácil, pedalar na Suécia deve ser um sonho!”. E realmente é. Mas não foi lá que a bicicleta entrou definitivamente em minha vida. Depois de um ano fora, o projeto que meu marido estava envolvido foi encerrado e retornamos ao Brasil. Decididos a manter um estilo de vida com menos coisas e mais experiências, optamos por não ter um carro e usar a bicicleta o máximo possível em nosso dia-a-dia. E fizemos. Foi, então, em 2012 que eu virei ciclista urbana. A partir desse momento, percebi que a cidade pode ser muito diferente pelos olhos e pernas de pedestres e ciclistas. Percebi que alguns medos eram infundados e outros nem tanto e, assim, superei a maioria deles. Vou no meu tempo, na minha velocidade e, apesar de durante um período da vida eu ter feito aulas indoor, percebi que no meu universo, a bicicleta é muito pouco para prática de exercícios e muito para empoderamento e emancipação. Não precisa custar caro e, na cidade, me leva a distâncias similares às do carro e do ônibus por um custo menor e uma maior qualidade de vida, muitas vezes em menor tempo, com menos stress e em maior segurança.

Depois de estar mais habituada à bicicleta na cidade, fiquei sabendo de um grupo de ciclistas que ensina pessoas a pedalar e, mais do que isso, acredita na transformação por meio da bicicleta. O Bike Anjo. Comecei me cadastrando na plataforma em 2013, mas somente em 2016 participei da primeira atividade com o grupo, a EBA – Escola Bike Anjo. Depois disso, não parei mais. A bicicleta virou ação voluntária, tema da tese do doutorado, e filosofia de vida. Ah, o poder transformador da bicicleta! Histórias de pessoas que aprenderam a pedalar depois dos 60 anos, mulheres que nos procuraram pois precisavam aprender a pedalar para fazer suas próprias entregas de encomendas, crianças e adolescentes cujos pais também não sabem pedalar, ou seja o motivo que for! Tem ainda, a luz nos olhos daqueles que descobrem, com o acompanhamento no trânsito , que é possível usar a bicicleta como transporte e se libertam! E foi, também, pelo Bike Anjo que passei a conhecer muita gente incrível que também pedala e também acredita no poder da bicicleta. Além, é claro, dos lindos encontros pelo caminho , como quando conheci da Viviane, administradora da página (Você é a Vivi? Da página Vou de Bike e Salto Alto?)! E lá se foram quase 3 anos desse encontro especial Com tudo isso, a bicicleta passou a ser parte muito importante do meu dia-a-dia e também da minha vida. Uso para ir ao trabalho praticamente todos os dias (faça chuva ou faça sol), uso para ir ao mercado, à padaria, onde for. Percebo que tenho mais disposição, que chego mais alerta e atenta ao trabalho, além de me manter ativa. A bicicleta pra mim é muito mais que transporte, é política, é luta por equidade de gênero, por inclusão, por justiça social e por cidades mais humanas. Também passou a ser opção de férias, através das cicloviagens, que já fiz 4 acompanhada do meu marido. Vale Europeu – SC/2012 (pouco mais de 150 km), Europa/2015 (trem + bicicleta – pouco mais de 350 km) Costa do Uruguai/2016 (aprox. 715 km e Lages-SC – Rio Grande-RS/2017 (817km). Usar a bicicleta na cidade, como transporte, é mais fácil e mais seguro do que parece. Além de tudo, nos permite perceber mais a cidade. A sensação das árvores naquele dia de calor, as cores nas mudanças de estação, as pessoas que passam por nós e que passamos por elas. Pedalar na cidade é viver a cidade. As ruas deixam de ser mera passagem e se transformam em espaço de estar. A gente começa a perceber que aquela rua que, de carro ou de ônibus pensávamos ser plana, tem uma leve ladeira (subida na ida, descida na volta), que aquela senhorinha está sempre sentada na sacada, que tem criança olhando pela janela e que em algumas árvores alguém plantou orquídeas no tronco. Começar a pedalar na cidade pode ser libertador, abre a possibilidade de novas experiências. Vale começar com aquela bicicleta emprestada da tia, do primo ou até da vizinha. Vale começar indo só até a padaria, vale chamar alguém pra explorar o trajeto junto (por que não um Bike Anjo ou uma Bike Anja?). Só não vale viver escondida e com medo (FOTO – por Doug Oliveira).

Assuma seu lugar no grupo. Todas/os podem (e devem) ter a iniciativa de ajudar a

melhorar nossas ações e a nossa organização. Somos toda/os responsáveis pelo que acontece no Bike Anjo. Venha você também!!

Minha bio: Gheysa Prado, 33 anos, é cidadã do mundo, professora universitária, designer, ciclista, doutoranda, ativista, bike anja e couchsurfer. Não necessariamente nessa ordem.

O Bike Anjo (bikeanjo.org) é uma comunidade de ciclistas voluntários apaixonados pelo seu meio de transporte. Atualmente possui mais de 6000 integrantes em mais de 600 cidades no Brasil e no mundo. Se você adora bicicleta, também pode ser uma voluntária, cadastre-se no site! Em Curitiba você pode acompanhar nossa página e as nossas atividades na página do Facebook e, segue uma prévia de nossa agenda para 2019:

Julho 7 – EBA Agosto 4 – EBA Setembro (Arte Bici Mob – Mês da Bicicleta) 1 – EBA 17 a 24 – Semana Nacional de Trânsito 22 – Dia Mundial sem Carro Outubro 6-EBA Novembro 3 – Passeio 24 – EBÃO de aniversário Dezembro 1 – EBA 8 – ELBA – CWB (reunião para planejamento de 2020)

DEPOIMENTO:

“Muito duplamente show…levamos nosso filhote para praticar andar de bicicleta sem rodinha na ação organizada pela ong Bike Anjo Curitiba chegando lá uma super grata surpresa…tinham várias mulheres com mais de 50, 60..uma senhora de 70 anos aprendendo a andar de bicicleta!!! Fiquei tão feliz, é isso gente!!! O que eu sempre comento de não existir idade para começar, para aprender, tem só que dar o primeiro passo, se permitir fazer algo diferente!!! Nosso pequeno ainda precisava sentir mais segurança para andar sem rodinha, com o nosso apoio em um ambiente onde todos estavam aprendendo, caindo, levantando, ele se motivou e foi que foi… já estava indo bem, e quando a voluntária Roseli veio ele se sentiu ainda mais seguro e decolou, e meu coração de mãe derretido!!! Penso com meus botões, como é incrível a energia quando o ambiente as pessoas buscam a mesma coisa, um motiva o outro, ativa um Eu Posso que chega a ser mágico. Se você está sem motivação, procura algo que te faça bem, que você possa estar com pessoas dispostas a ajudar de coração aberto…experimente-se, tem muita vida lá fora, a recompensa vale a pena!!!” . Parabéns Bike Anjo Curitiba o trabalho voluntário que vocês realizam é injeção de ânimo na veia!!

Sou Viviane Mendonça , Ciclista, cicloturista e cicloativista há 15 anos
“Incentivadora do uso da bicicleta entre as mulheres!”
Facebook Fanpage – https://www.facebook.com/voudebikeesaltoalto
Instagram – https://www.instagram.com/vou_de_bike_e_salto_alto/
Por Viviane Mendonca – Geógrafa , historiadora e apaixonada por bicicleta

É mulher na bike que a gente quer ver no outubro rosa?

O pedal outubro rosa #juntassomosmais em Guarapuava foi lindamente colorido por mulheres maravilhosas. Cada uma no seu ritmo, no seu tempo e na sua vontade abrilhantaram as estradas e a cidade de Guarapuava. Parabéns a família @los_manolos_elas_no_pedal e @biksstore e a todos que colaboraram para este lindo e emocionante evento.

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