A bicicleta nos livrou do espartilho

A prática do ciclismo trouxe mais uma importante emancipação: a mudança do vestuário feminino.

Precisamos falar sobre o terrível espartilho, que torturou mulheres até o início do século XX. Um acessório feito com um emaranhado de arames (no século XVIII, de barbatanas de baleia) que apertava a cintura e acentuava as curvas femininas. As mulheres não saíam de casa sem ele, que realmente modelava os corpos. Só que os prejuízos à saúde – e à mobilidade – eram grandes. Algumas exageravam, permitindo que os arames machucassem a pele e os músculos, atingindo até os órgãos internos. Mesmo as grávidas não abriam mão dele, e os médicos travaram uma batalha dura para convencer as vaidosas.

A bicicleta desencadeou uma série de mudanças para a cultura feminina por ser um meio de transporte moderno e sem tradições vinculadas aos gêneros e papéis sociais. A prática do ciclismo trouxe mais uma importante emancipação: a mudança do vestuário feminino. Para que as mulheres pudessem pedalar seria necessário o uso de um vestuário simplificado e confortável. A primeira modificação iniciou-se pelo corpete, as adeptas do transporte trocaram o espartilho pelo Spencer (uma adaptação do casaco masculino para o vestuário feminino). Em seguida, abandonaram as anquinhas e adotaram as saias calças.

Nos anos entre 1882 e 1884 as ciclistas passaram a adotar uma nova roupa para praticar o esporte ou simplesmente transitar nos centros urbanos. As mulheres passaram a adotar uma calça mais curta denominada, nos Estados Unidos, de Bloomer e, na Inglaterra, de Knickerbockers. A calça Bloomer foi Lançada em 1850 por Amelia Bloomer para dar liberdade de movimento às mulheres, sendo uma das reformas mais importantes na história do vestuário feminino. Esta peça foi responsável por pensar a diferença entre gêneros e subverter o dimorfismo sexual presente na moda até o século XIX que legislava o uso de calças para homens e saia para mulheres.

A bicicleta também ajudou a libertar as mulheres das roupas apertadas e do excesso de volume. Como pedalar com saias cheias de tecidos, rendas e amarrações? O espartilho foi escolhido como o principal inimigo das atléticas mulheres. Nos países onde o hábito feminino de pedalar se popularizou, o uso do espartilho foi abandonado mais rapidamente.

Os médicos da época se dividiam quanto aos benefícios das pedaladas às mulheres – Em uma coisa, contudo, todos os especialistas concordavam: o quanto um espartilho apertado, com impiedosas barbatanas e arames, podia prejudicar a saúde das mulheres.

A bicicleta propiciou não só a reforma do vestuário feminino como mudou definitivamente as atitudes sociais em relação às estas peças. O uso da roupa esportiva marca o momento da concepção do vestuário moderno. O uso da roupa bifurcada permitiu as mulheres liberdade em seus movimentos e deslocamentos no espaço público.

De acordo com Susan B. Anthony, líder feminista americana , a “bicicleta fez mais para a emancipação feminina do que qualquer outra coisa no mundo”.

Ao permitir que jovens socializassem sem supervisão e finalmente libertar as mulheres das restrições dos corpetes e saias gigantes, a bicicleta fez possível ações antes impensáveis. Com a popularização das bicicletas entre as mulheres, os vestidos foram sendo adaptados e as roupas femininas tiveram uma redução de peso de cerca de 4 quilos.

Como podemos ver, a bicicleta só trouxe avanços ao sexo feminino: deu-lhe a oportunidade de se locomover com mais liberdade, mostrou-lhe a importância dos exercícios físicos e ainda simplificou-lhe o guarda-roupa, ajudando as mulheres a abandonar de vez aqueles detestáveis espartilhos. Viva a bicicleta e a nossa independência!

Administradora das redes sociais Vou de Bike e Salto Alto

Fontes:

Saiba mais:

http://www.anamappe.com.br/blog/2010/08/a-bicicleta-simbolo-da-emancipacao-feminina/

http://www.euvoudebike.com/2011/03/as-rodas-da-mudanca/

http://historiahoje.com/bicicleta-espartilho-e-feminismo/

Referências bibliográficas:

“Livres para Pedalar”, de Victor de Melo e André Schetino, na Revista de História da Biblioteca Nacional, nº 57.

“Recônditos da Vida Feminina” de Mariana Maluf e Maria Lúcia Mott, em História da Vida privada no Brasil, vol.3,

Dicionário da Moda”, de Marco Sabino

“História Ilustrada do Vestuário”, organizada por Melissa Leventon

Sou Viviane Mendonça , Ciclista, cicloturista e cicloativista há 15 anos
“Incentivadora do uso da bicicleta entre as mulheres!”
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Por Viviane Mendonca – Geógrafa , historiadora e apaixonada por bicicleta

É mulher na bike que a gente quer ver no outubro rosa?

O pedal outubro rosa #juntassomosmais em Guarapuava foi lindamente colorido por mulheres maravilhosas. Cada uma no seu ritmo, no seu tempo e na sua vontade abrilhantaram as estradas e a cidade de Guarapuava. Parabéns a família @los_manolos_elas_no_pedal e @biksstore e a todos que colaboraram para este lindo e emocionante evento.

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